Os Ventos da Revolução e Redimensionamento Económico de Moçambique: As Forças Motrizes Subjacentes ao Desenvolvimento Económico

Os Ventos da Revolução e Redimensionamento Económico de Moçambique: As Forças Motrizes Subjacentes ao Desenvolvimento Económico

Como é sobejamente sabido, quando se concebe uma estrutura de articulação e análise económica, factores como a aquisição de Investimento Directo Estrangeiro (FDI) ou monetização de recursos desempenham um papel preponderante e de capital importância na revolução e redimensionamento económico de qualquer economia, na medida em que a sua aplicabilidade permite depreender, num prisma holístico, a inflexão da curva de desenvolvimento integrado de um determinado país, o que por decorrência e arrastamento, serve de suporte para que sejam extraídas as devidas ilações de como potencializar e apropriar valor aos vários sectores de produção que compõem a estrutura elementar de uma economia.

Atente que grande parte do valor de uma economia deriva da sua capacidade e aptidão em instrumentalizar políticas que possam suscitar uma maior dinamização dos índices de inclusão e de diversificação económica, muitos países tem primado pela conceptualização de metodologias direcionadas a busca de elementos conducentes a elevação do padrão de vida dos seus constituintes, seja por via da (i) monetização dos seus recursos internos ou pela (ii) mobilização e dinamização do tecido empresarial nacional com vista a atração de investimentos oriundos de origens estrangeiras.

É neste contexto que se poderá fazer um eventual enquadramento de Moçambique, atente que grande parte das suas ações ao nível da sua geosfera sectorial tem sido conduzidas numa lógica de potencialização e maximização da matriz de produção interna de forma a reduzir os índices de importação e de dependência externa, elementos estes todos importantes para a reclassificação orgânica e gradual do país como um "Net Exporter" efectivo. Como ponto de partida, pode-se relevar o papel interventivo e de redimensionamento económico que o governo e os seus parceiros de cooperação tem estado a exercer, onde a título de exemplo se destaca do contingente de ações que tem estado a ser levadas a cabo, a Decisão Final de Investimento da Área 1 (Campo Golfinho/Atum), que representa, na sua génese, um momento marcante e sem precedentes a nível do continente Africano.

Este marco, para além de cementar o posicionamento de Moçambique no sector de Hidrocarbonetos, tem o predicado de servir como garante de uma maior exposição do país no contexto mundial, uma vez que sinaliza que Moçambique continua a constituir um destino atrativo de investimento e um espaço de prosperidade comercial. Por se tratar de um investimento estruturante e com um desígnio Nacional, os outros sectores da economia serão certamente confrontados com a possibilidade de os mesmos poderem extrair dividendos dos derivados deste projeto, o que poderá consubstanciar por defeito, na observação de um desenvolvimento integrado, inclusivo e transversal da economia Nacional.

Por outro lado, este investimento poderá igualmente permitir a dissipação do paradoxo que é normalmente atribuído por força da dicotomia "Norte-Sul", que por muitas vezes é patente quando se analisa o desenvolvimento de projectos em Africa. Este é apenas mais um sinal de que Africa esta também engajada na estruturação de um desenvolvimento “pari passu” do continente, e que por via dos esforços dos seus proponentes, poderão ser criados novos elementos ao longo dos próximos tempos de forma a diluir o desfasamento observado quando comparado com o nível de investimento e de desenvolvimento apresentado pelos países do Norte.

Contudo, para que não haja nenhum tipo de assimetria de informação ou qualquer expectativa desfasada da realidade, a temática em torno da gestão de expectativas deverá constituir um elemento central de atenção e a sua disseminação deverá ser feita de forma exaustiva e tempestiva. Acoplado a este factor, estará sempre a necessidade de introdução de elementos concretos que possam inibir a existência de um cenário similar ao da “Doença Holandesa”, uma vez que a sua aplicabilidade poderia condicionar o desenvolvimento da economia nacional.

Como ponto concludente, deixarei aqui plasmada a minha visão, um pouco auspiciosa, em relação ao desenvolvimento da economia nacional. Assumo que com os vastos recursos existentes ao longo da geografia do país e que dada a localização estratégica que o país detém, Moçambique poderá estar em condições de a curto e médio prazo deter um papel de destaque no contexto mundial e a longo prazo estar em condições de poder satisfazer aquilo que são as suas necessidades prementes, sob ponto de vista de salvaguarda da sua soberania, independência e autossuficiência financeira, sem contudo descorar da possibilidade de desenvolvermos capacidades internas que nos poderão permitir escoar parte do produto final produzido internamente para os mercados regionais, mercados estes que não dispõem dos recursos e características detidas por Moçambique.

Bem-haja ao povo Moçambicano, pela sua capacidade de conceber projectos de dimensão mundial e pela sua resiliência a qualquer tipo de vicissitude que possa decorrer.

Feito por Rijcard Manuel


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